Férias

O Pente vai de férias, já que o seu dono rumou ao Sul para uma merecidas férias entre amigos... :-)



Mais depenteadelas para o fim do mês!

O belo piano de cauda

Depois do choque inicial, de chegar à terrinha e ver cada pedra no mesmo sítio, uma série de eventos do Senhor Verão 2009 cai-me no colo do nada, como se estivesse tranquilamente a tomar a minha água com gás numa esplanada e me caísse no colo um piano de cauda preto: inesperado, violento e sem sentido na cena cinematograficamente!



No primeiro dia em que tenho de ir dar as minhas voltinhas pela cidade (meter gasolina no meu bichinho, pôr um relógio a arranjar, deixar uns blazers à lavandaria e outras tretas avulso) dou de caras com a menina da deste post! Ora imaginando eu este reencontro algures nos próximos tempos, nunca o fazia tão súbito e tão especial... Como há já largos tempos que a tinha deletado do meu Facebook, Hi5, Orkut e Éme-Ésse-Éne e não a via para mais de um ano, antevia um reencontro em que a miúda sem papas na língua me ia perguntar Porquê?

Assim foi. Acenou-me timidamente e parei o carro, saí sorridente (estava mesmo feliz por revê-la) e dei-lhe um abraço do alto do meu metr'oitenti'quatro só para a sentir baixinha contra o meu peito. Fiz de propósito e exagerei no abraço: lembrei-me logo que ela não gosta nada de circos em publico! Em vez das perguntas da praxe Então a Inglaterra, que tal é aquilo? Gostaste? E agora ficas por cá? apressou-se em soltar a que mais lhe queimava a cabeça: Então bloqueaste-me no MSN e no Hi5??? Estás chateado comigo????

Esquivei-me como pude e mostrei-me bem mais interessado em inspeccionar as coisas novas que um ano tinha trazido àquele corpinho e àquela carinha tão familiares: pareceu-me mais magra, cabelo mais comprido, penteado algo diferente do que me recordava, mas sem conseguir perceber bem porquê. Maminhas mais pequenas fizeram-me questionar se seria o soutien que a desfavorecia ou se estava mesmo muito mais magra. Incitei-a a tirar os enormes óculos-de-sol que supostamente a ajudavam a esconder as marcas de uma recém terminada época de exames, a que anuiu fingindo embaraço e um protesto baixinho a que nem dei atenção: estava realmente com uma cara cansada que denunciava longos períodos de queimanço-de-pestana na caminhada para o fim do seu cursito. Isso, ou o ano que passara, fez-me notar claramente que tinha um ano a mais naquela cara quando comparei com o último registo que tinha cá dentro: estava mais velha. Mas depois conforme aquelas grandes pupilas castanhas (onde me costumava perder) se adaptavam e ela conseguia reabrir os olhos desprotegidos magoados pelo sol transmontano revi tudinho: aquela boca perfeita tirada dos compêndios da beleza renascentista e aqueles olhos-amêndoa únicos continuavam lá, intocados.

Massacrei-a mais um bocadinho com olhares incomodadores a roçar o íntimo, a curiosidade e o libidinoso. Depois dei-lhe tréguas e propus-me a satisfazer a sua curiosidade: Não, não estava chateado com ela! Tinha cortado contacto intencionalmente porque não me sentia confortável em sentir que ela podia seguir tão de perto a minha vida pelos FB, MSN e afins. Se ela queria saber (algo) de mim, que procurasse pela melhor maneira: eu mesmo.

Combinámos um café para daí a umas horas, afinal, velhos amigos revêm-se e põem a conversa em dia, certo? Errado! O café prolongou-se para uma conversa de mais de OITO horas em que falámos de passado e presente, planos e férias, estudo e trabalho, dinheiro e amigos. Essa conversa mudaria muita coisa em mim...
O piano de cauda era mais pesado do que o que parecia: pela primeira vez num reencontro (depois da separação) não senti nada! Senti-me nervoso na primeira meia-hora, notei que por isso falava demais com as mãos e o meu olhar pouco pousava no dela, mas depois passou, completamente. Ali estava ela, a ela, e eu absolutamente relaxado, a desfrutar sinceramente da sua companhia, do que me dizia, do que me contava, dos seus amigos, da sua nova vida. Deliciei-me! Primeiro, porque sem qualquer pressão carnal, via em cada frase dela a miúda interessante e perspicaz que estava à minha frente. Segundo, porque sem segundas intenções, sem florear nada de mim para a impressionar, conseguia rir-me transparentemente das suas piadas, das suas graçolas e revi a pessoa divertida perdida sem rasto há tanto tempo atrás. E por fim, porque com o avançar da conversa e da cumplicidade voltou-me à consciência tudo o que foi bom na nossa longa relação (e aqui é que eu senti o peso do piano): os mimos, os trejeitos, os arrufos, os caprichos, os amuos e aquelas coisinhas pequeninas que eu adorava nela. Mais: as frases de-me-pôr-a-pensar, o efeito impressionante das suas opiniões em mim, o esforço (é das poucas pessoas) que tenho de fazer para manter a concentração no que digo e no que oiço, o esconder do meu enorme orgulho quando ela me mostra uma perspectiva diferente de um assunto em que eu pensava que já tinha explorado todos os pontos de vista possíveis, e pumba, ela esfrega-me um ângulo que eu nem sabia que podia estar lá; mas estava mesmo, e eu não me queria mostrar demasiado surpreso, de orgulho leonino ferido.
Sim, não tinha já qualquer vaga noção de como era optimamente interessante o nosso colóquio!

Depois do estrondo do belo piano, saí de debaixo dele, abri-o e senti-lhe as teclas. O Senhor Verão deu-me a primeira de algumas prendas... Nada mudou cá dentro: o meu antigo amor está ultrapassado e acho que para isso tive de recalcar muita coisa boa (talvez tudo?) da minha relação (que aquela noite a primeira do meu Verão português), me desenterrou deleitosamente pazada por pazada, como quem enterra a colher num balde de gelado de prazer. Tirou-me rancor e azia de cima, e equilibrou as minhas memórias dos 6 anos negros que afinal, não foram assim tão negros...

Agora usufruo da cumplicidade e da confiança que tanto tempo junto com alguém fabricou, sem o peso da dor antiga, e principalmente consigo ver a minha ex com todas as suas qualidades sem o filtro imbecil que andava há meses a carregar, embora cada um tenha seguido rumos diferentes (e assim continuará). Tudo porque o piano caiu quando decidimos ir à lavandaria ao mesmo tempo naquela tarde de Segunda-feira... Coincidência?


Se até os jornais o dizem...

É só ir ver esta notícia:

VÊM AÍ TRÊS DIAS DE LOUCURA EM MIRANDELA!!!

E eu acrescento: os jornais nem imaginam...

Mega Janta Porto: Contactos, ex-Contactos & Wanna-Be-Contactos

Pessoal dia 25, Sábado próximo estamos a organizar um jantar de reencontro entre Contactos, ex-Contactos & Wanna-Be-Contactos no Porto! Eu coordeno o Norte e o Miguel o Sul!

Vai ser comida e bebida à farta: tudo à discriminação! Bifinhos com cogumelos para encher a blusa e para beber, receita, vinho, cerveja, cafés-das-caldas! 10€!

A seguir seguimos bem bebidinhos para a Nova Era Beach Party 2009! 15€! E curtir até de manhã... Nessa meia-noite faço anos! :-P



Bob Sinclar, Erick Morillo, Groove Armada e Pete Tha Zouk em Leça parecem-me excelentes motivos para acabarmos a noite na praia a curtir!

Inscrevam-se aqui!

Vai ser a p*** da loucura entre amigos!

Adeus INOV, adeus Londres

Seis meses depois de aterrar em Gatwick regresso a Portugal, com excesso de peso na bagagem (era preciso estourar as libras na roupinha Londrina), num voo da Portugália demasiado atrasado a um aeroporto de Sá Carneiro cheio de filas, emigrantes e calor!

Na bagagem trouxe muito mais que roupa... Trouxe Amsterdão e Groningen, Manchester e Liverpool, Dublin, Madrid, Varsóvia, Barcelona, Budapeste, Praga, Bucareste, Báltico e Estocolmo. Mal houve espaço para Londres, os novos amigos e os novos conhecimentos. Lá consegui trazer tudo... Depois de começar a emprateleirar tesouros, caí então com estrondo na realidade: Mirandela, Portugal.



Parece que voltei de Inglaterra e está cada pedra nos mesmos sítios! Tudo exactamente no mesmo lugar onde o deixei! O socalco do asfalto que abateu e faz o carro dar um saltinho quando passo a mais de 60 a caminho de casa, os amigos com as respectivas mais-que-tudo, as amigas com os respectivos nao-ata-nem-desata, o calor Transmontano, a pré-época do Benfica e o não-se-passa-nada do costume. Salvo um pontual um O X ou o Y está prestes a casar-se mais chocante, está tudo I-G-U-A-L!!!

Por isso bastaram umas horitas de miminhos dos progenitores para dar comigo a pensar no churrasco de despedida de Londres,



da bebedeira de despedida no Shunt,



de me dar conta de Merda esqueci-me de pedir o número português de A, B e C, e quero falar com esse pessoal!



Chegou o fim da etapa Londrina e após as férias iniciar-se-à a fase seguinte. O Pente vai continuar a relatar as aventuras e histórias que forem tropeçando nos passos do seu autor que um dia voltará a Londres, mas para já esse dia não se vislumbra num futuro próximo.

Adeus INOV, adeus Londres, venha daí o próximo destino!


Pedimos desculpa pela interrupção

O Pente retoma a programação habitual dentro de breves instantes!



Obrigado

Por razões profissionais, todos as referências a entidades empresariais foram retirados d'O Pente. Daqui em diante essa será a linha de conduta.

Profissionalmente? Tem sido assim... E agora?

Desde adolescente tive um percurso atribulado, desde que me lembro de mim, vejo-me como um eterno indeciso com dificuldades em optar por um caminho bem definido. Quando saí de casa rumo à Universidade passei por Medicina e Química tive um pé em Matemática e pelo caminho desisti de Psicologia, Literatura e Ciências Políticas antes de aterrar em Engenharia...
Engenharia foi uma não-escolha, um mal menor: já que não sei bem o que quero com toda a minha paixão, escolho algo de que gosto suficientemente e que me assegure um risonho futuro... E assim fui fazendo escolhas até chegar a este ponto, hoje.

Saltando obstáculos, esquivando cadeirões e dedicando grande parte dos meus anos académicos à boémia, à gazeta, à praxe, às festas e às baldas fui investindo muito mais em mim espiritualmente do que tecnicamente, adiando ao máximo a altura em que teria de me tornar um tecnocrata, um geek... Seguindo a tradição do meu glorioso curso (para mim, o curso mais difícil do mundo!) antes de o terminar já estava empregado: uma tarde, andava eu às voltas com o protótipo da minha tese de mestrado (algo como um Inversor para Sistemas Domésticos de Produção de Energia Eólica), desencaminhado por colegas, ao invés de ir trabalhar para o laboratório, fui para os copos! Que se lixe pah, vamos mas é para o Autocarro-Bar beber uns finos!

Nessa tarde de Primavera na esplanada com um grupinho de amigos íamos aproveitando o sol aveirense (saudades!) de óculos escuros nas bentas e cerveja nos lábios. Levanto-me e vou à casa-de-banho. Naquela posição característica de barriga-para-fora e mão-na-pila estou ali a aliviar-me num dos urinóis quando o rapaz que entrou depois de mim mijando no urinol da outra ponta (sim que se há coisa que prezamos no mictório é a distancia entre membros!) me diz:
- Oh jovem, tu não és finalista de ET?
Ao que eu de sorriso rasgado e sobrancelhas franzidas lhe respondo: - Por acaso sou pah! Porquê??? Não me digas que tens uma proposta de emprego para mim?! - e rio-me!
- Por acaso tenho!!!
Rimo-nos os dois. E já a olhar-nos por cima dos ombros, ele continua: - Conheces a XXX em Águeda? - eu digo que não - É uma empresa de electrónica e telecomunicações que trabalha principalmente para a PT-Inovação. Eu estou lá há um ano, acabei no ano passado e o meu patrão pediu-me para lhe indicar alguém de confiança do nosso curso. Estamos a precisar de mais um engenheiro na área técnica... Chamas-te Tiago não é?
- Sim. És de que matrícula?
- Eu sou o M.! Acho que já te tinha visto antes... - não o sabia ainda, mas viríamos a ser bons amigos.
- Eu não me lembro de ti...
E nesse momento, com o ímpeto habitual de o cumprimentar dou-me conta de que continuamos ambos a segurar nos nossos queridos membros de frente para a parede como se estivéssemos de castigo!
- Mas deixa-me falar-te do que fazemos lá na XXX! Nós estamos na área técnica e basicamente - interrompo o M.!
- Oh M., desculpa lá, até quero ouvir o que tens para me dizer. Mas podemos ter esta conversa lá fora? Numa mesa talvez?! Já que vamos falar de emprego, e até estou interessado no que tens para me dizer, que tal sentarmo-nos com umas cervejas?
Gargalhada, abotoámo-nos e lavámos as mãozecas. Depois sim, cumprimentámo-nos e fui-me sentar na mesa dele.

Na mesa dele estavam mais duas raparigas, uma delas conhecia-me da praxe, veterana como eu dessas andanças valdevinas. Ao que parece quando eu passei para ir à casa-de-banho (ela já estava a par que o M. procurava um colega finalista) disse-lhe Olha esse despenteado aí, o Tiago, é finalista de ET! E foi o suficiente para o M. me seguir para os urinóis...



Dias depois estava a ser entrevistado por um dos patrões da XXX com o meu primeiro CV à frente (e sim: despenteado na entrevista e todos os outros dias). Comecei na semana seguinte. Se eu fosse um rato de laboratório ou um estudante aplicadinho, senão tivesse andado a dar tanto de mim à Academia, à noite, às amizades e aventuras, não teria sido reconhecido, não teria sido um histórico da UA, não teria vindo um engenheiro atrás de mim perguntar-me "Oh jovem, tu não és finalista?" Agora expliquem-me se não é muito mais importante investirmos em nós como pessoas, socialmente do que tecnicamente?

Uns meses depois apresentava a minha demissão da XXX com um peso e um custo terrível: foi-me mesmo difícil aquela manha. Impulsivamente tinha-me metido no INOV e por isso deixava a fábrica e o trabalho que adorava: sim, adorei o que fazia como engenheiro no meu primeiro emprego. Chegava a casa estourado, de rastos, fazia horas-extra a granel, era muito mal pago, mas adorava! Tudo... os colegas, o trabalho, a rotina de ir de Aveiro a Águeda no meu Smart (da altura), a rádio da manha e do fim de tarde, as meninas das Assembly Lines e das Embalagens (que me reverenciavam com O Senhor Engenheiro Tiago pediu assim, eu já lhe faço isso!) e eu gostava dos flirts delas, de sentir os seus olhares na minha bata, de arranjar desculpas para me debruçar nas suas bancadas... Enfim, outros tempos. Despedi-me e meti-me nisto.

Meti o CV, a AICEP mandou-me para Londres. Foi tudo quase tão rápido como se tivesse acontecido numa toilet dum bar, e vim. Antes exerci Electrónica, aqui Telecomunicações e é o que já sabem: aprendi e evoluí muito e blá blá blá.

Seis meses depois enviei CVs pela primeira vez na minha vida, já que a empresa não se decidia. Como já disse, pouco depois tinha uma entrevista marcada que só não foi nesse dia porque na Argentina são menos 4 horas que aqui. A história repetia-se: entrava nos meus novos empregos de cabeça, de rompante e sempre com um humor qualquer à mistura! Duas entrevistas depois em que puxei do meu Castelhano (com os da América do Sul) e do meu Italiano (com o chefe de operações de Burum), tinha em cima da mesa duas propostas não de mudança de emprego, mas de mudança de vida!

A empresa actual quer-me como responsável de um projecto na nossa base de Burum no norte da Holanda, onde já passei uma semana em Fevereiro. A começar em Setembro e por 6 meses dependendo do sucesso... Pontos fracos? O Inverno da Holanda que eu vivi, é pesado, escuro, com muita neve e gelo. A base de Burum é a 20km de Groningen onde teria de morar e ir e vir todos os dias de carro. Há a hipótese de trabalhar por turnos, pois no centro de operações tenho de monitorizar alarmes. Groningen é do tamanho do Porto e tenho medo de calustrofobizar depois de sair da pequena Londres!
Prós: vou receber muita formação. Vou evoluir ainda mais dentro desta área, pois continuarei a trabalhar para a maior empresa do mundo no ramo e eu vi como as outras empresas "ficaram doidas" quando no meu CV aparecia o nome desta empresa. Vou estar à distancia das low-cost de casa, dos meus pais, dos meus amigos quer no rectângulo mágico quero dos que estão espalhados pela Europa fora! Poderei levar o meu MG para a Holanda!!! Em Fevereiro, gostei muito da minha experiência Holandesa em Groningen (essa jovem cidade universitária): era alta, loira e muito carinhosa!



A outra proposta (de uma DP, Distribution Partner) por seu turno, quer-me como Engenheiro responsável pela assistência técnica, ponte entre o departamento de vendas, os clientes e o suporte. Pontos fracos: Não vou enriquecer na América do Sul. Sim, vou viver principescamente lá, mas não vai haver pé-de-meia, porque a diferença de nível de vida não o permite! Ainda: estou longe cumó carago de casa! Não há low-cost entre Buenos Aires (BA) e Mirandela e lá no fundo tenho algum receio de estar tão longe de qualquer das pessoas importantes na minha vida. Por fim, eles vão contratar-me como especialista em terminais, como (quase) produto acabado em que teoricamente não vou receber tanta formação como ficando na Europa e com muitíssima mais responsabilidade que em Burum. Ah... e há a gripe-A!
A favor? Nas minhas funções viajarei imenso por aquele continente, pois aquela empresa precisa de mim também fora de BA: há escritórios no Rio, Chile, Peru e Paraguai. Viverei mesmo bem com o meu ordenado: boa casa, bom carro, boa comida (segundo os C13 que ainda páram por BA). É um salto para o desconhecido, para a novidade e isso atrai a minha natureza, como sempre. Poderei receber formação nos outros produtos concorrentes. Por outro lado, se eu estiver preparado para assumir o cargo, poderei fazer uma carreira quiçá mais recompensadora, pois estou muito mais alto na hierarquia corporativa. E claro... As Argentinas! Eu não tenho conhecimento de causa, falta-me essa bandeira. Mas diz quem tem que aquilo é um estrondo em qualidade e em quantidade... Dez para um, dizem ser o rácio!

Sem dúvida que voar para a Sudamérica é um salto muito mais comprido. Um risco maior. Ainda não sei se tenho hipótese de adiar este passo (isto é, ficar uns meses nesta empresa, Holanda) e então dar o salto. Não sei bem o que é melhor para mim, se decidir subir mais degraus de uma vez e sacrificar a velha Europa que aprendi a amar, por um continente desconhecido cheio de outros povos, outras gentes, gentes longínquas... Sentirei falta demais, saudades insuportáveis? Não seria mais feliz na Holanda? Consigo meter um punhado de países entre mim e Portugal... Mas um continente, um oceano? Não sei... Há 9 anos atrás, durante as férias de Verão reflecti e deixei cair Medicina, desisti daquilo, adios à Universidade de Salamanca e decidi-me por Engenharia. Agora espero que venha de novo um Verão iluminado que me aponte o caminho: Holanda ou Argentina? Tenho de resolver em Agosto.

Londres tem mais encanto...

...na hora da despedida da última noite em Brick Lane (que é fantástica ao Domingo como já disse tantas vezes) dizia-me ontem a minha amiga G. que Londres é especial, é diferente! Falávamos sobre estilos de vida, sobre solteirismo e compromisso, sobre estar numa relação e não estar... Falávamos de como Londres é grande e de como aqui está tudo a acontecer sempre, tudo a todo o tempo, as we speak!

Falando de Londres e Lisboa, que esta é a cidade ideal para se ser solteiro, que é difícil encontrar alguém com quem queiramos estar exclusivamente... Eu perguntei-lhe porquê, que não tem lógica: se há tanta gente é mais fácil haver algo entre duas pessoas, encontrar gente fascinante e supostamente em Portugal seria mais difícil porque é menos gente, porque temos menos oferta!
- Não - disse ela - é exactamente ao contrário! Aqui encontras muito menos gente disposta a um compromisso, aqui acredita que pensas duas vezes antes de investires a sério em alguém! - Assim tentava ela justificar que aqui é melhor e mais fácil ser-se solteiro! Quando perguntei porquê de novo, ela continuou:
- Olha à tua volta! Já viste a quantidade de gente interessante com que te estás sempre a cruzar? Quem é que vai querer ficar só contigo? Tem de se estar mesmo muito apaixonado, tens de te sentir daquela maneira... quase sem ar! Enquanto em Lisboa encontras muito mais facilmente pessoas dispostas a investir no compromisso...
Vendo que eu só concordava a custo, sai-se com esta pérola:
- É como ires a um restaurante que só tem três pratos. Decides muito mais facilmente! Ah este não gosto, este sou alérgica... Então peço este! - Fascinado senti-me a divagar enquanto ela terminava:
- Londres é como um restaurante onde tens os pratos todos! Onde tens mesmo muitos muitos pratos! É muito mais difícil decidir, demoras muito mais...




E então eu percebi-a...

O início do fim

Tenho tanta coisa na cabeça para escrever e não tenho tido tempo nenhum infelizmente! É oficial: o meu futuro não passa por Londres! Mas vamos por partes...

Há uns tempos atrás comecei mesmo a desejar que a minha empresa me fizesse uma proposta mais duradoura: queria ficar aqui em Londres, continuar a trabalhar no mesmo sítio (estes gajos são mesmo bons nisto dos satélites), continuar a evoluir profissionalmente, prosseguir com a descoberta incessante Londrina, manter este estilo de vida, mudar de casa para uma que eu sentisse mais minha e com amigos que fiz nestes últimos meses, como o M. e a H.!

Por atribulações inacreditáveis durante o meu estágio (mundo empresarial e corporativo: olho para trás e vejo como era verdinho na indústria há 6 meses atrás) percebi que receber uma proposta da minha divisão seria altamente improvável. Mesmo assim, acreditei: porque sou um optimista e tenho tendência a ver a bondade nas pessoas.

Quando a fé se tornou mera esperança o meu eu cauteloso decidiu enviar uns CVs, comecando por todos os parceiros da empresa around the globe. Na minha cabeça achava que pouco valor tinha para o mercado e por isso enviei em catadupa, resultado? Terça-feira passada às 10h20 mandei o meu primeiro CV. Antes do meio-dia já tinha 3 entrevistas marcadas para esse mesmo dia e para o seguinte! Ao que parece o que aprendi por aqui é muito valorizado fora de portas...

Hoje é Sexta-feira e saí agora de mais uma tele-entrevista auspiciosa. Já separei o trigo do joio, o que é sólido do que não é! Solidamente tenho 4 boas propostas e 2 excelente propostas. Uma das quais... É da minha actual empresa, oh doce ironia! Falarei delas mais adiante, num outro post, a decisão será entre estas 2 excelentes propostas, diametralmente diferentes e ambas para fora de Inglaterra.

Não consigo deixar de ficar inchado com You were the best intern we ever had in our floor e a estatueta de mérito de um dos nossos satélites (que foi lançado pelos russos há 3 anos). Isto depois de coisas muito más que por aqui aguentei, quando há 3 meses estive prestes a mudar de país e a quebrar contracto com a Agência Portuguesa, isto, diz-me mesmo muito, isto tem mesmo muito valor para mim!



Portanto este fim-de-semana é o último antes das férias, do sol, de Portugal. Este é o fim-de-semana do balanço, do que levo da Bretanha, dos seis meses de vagabundice e dos novos amigos e amigas. É este o fim-de-semana do início do fim!

The irrecusable offer

I was waiting for an offer I couldn't refuse!

It has arrived...

O teste

Fiz este teste e este foi o resultado:

Tripeiro nato

Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.


Não! Está errado! Sou um homem do NORDESTE, sou transmontano, não sou tripeiro! Mania de confundir os nortes pah...

Adeus!

Levantava-me todos os dias e era ela uma das minhas primeiras preocupações: se teria passado bem a noite, se estaria bem disposta nessa manha... Passámos muito muito tempo juntos nestes últimos meses e nunca me esquecerei daquela manha de Domingo quando fomos apresentados em Brick Lane! Lembro-me de olhar para ela e ela estar ali, como se já lá estivesse há muito tempo há minha espera: era linda, alta, torneada, com pose nobre, acho mesmo que sempre se assemelhou a algo real! Quis fazê-la minha logo ali! Mas não foi fácil... Quando o consegui andei com um sorriso na cara durante três dias!

Nunca esquecerei as nossas fugas a dois e os nossos momentos por Londres: as coisas que vimos, os sítios por onde passámos juntos! Relembrarei com muito carinho aquele fim de tarde em Fevereiro no Hyde Park onde aquela menina me pôs doido pela surpresa que me preparou... Indescritível: Estávamos a atravessar o parque, bem juntinhos, em andamento acelerado para combater o frio que já caía sobre a cidade àquela hora, e a menina decide parar, fingir ter perdido a vontade de ir ter com os meus amigos e querer parar mesmo ali, no deserto e frio Hyde Park! Eu não entendi muito bem o que se passava com ela à primeira, e comecei a aconchegá-la contra mim, até que atingi... Lá tive de encontrar um canto mais escondido onde ela estivesse mais protegida e lá lhe dei a atenção que ela me pedia!

Cá em Londres nas nossas maluquices, queimámos mais calorias juntos que em todas as outras brincadeiras com outras amigas minhas, juntas! Éramos mais que cúmplices e amigos: éramos perfeitos, mesmo quando ela me deixava furioso com alguns dos seus ataques inoportunos de preguiça ou mimo!

Mas eu sabia que este dia iria chegar... Eu sabia que não podíamos ficar juntos e que a nossa relação teria de terminar antes de eu ir de férias para Portugal. Sentia-me rasgado entre a vontade de só a deixar mesmo em cima da minha partida de Londres ou antecipar um pouco essa data, para que fosse uma despedida digna e não algo súbito e apressado. Assim foi... Decidi neste fim-de-semana que era agora altura... Altura de esquecer tudo o que ela fez a este corpinho, altura de ignorar a falta que vou sentir dela nestas próximas duas semanas! Mas tinha mesmo de ser...

Então hoje levantei-me mais cedo e ela pressentiu que algo se passava. Fomos mais separados que o costume pelo passeio: ela sabia que não era uma manha normal! Sei que achou estranho eu chegar com coisas que tinha dela dentro de casa... Mas nada me disse! Quando entendeu o que se passava, nem uma lágrima, nem uma palavra mais dura, nada! Nada me disse: não foi preciso. Vi-a afastar-se com o seu novo amiguinho (o que me causava ciúmes) e nem uma festa me permiti fazer-lhe à frente dele! Mas só eu sei como me apetecia demorar-me, passar-lhe os olhos pela última vez e virar costas... Entrei no metro de coração apertado sem saber bem porque, quando ambos sabíamos que este dia chegaria. Não sei se lhe custou mais a ela ou a mim, mas sei que custou!

Fica aqui a foto dela, para que toda a gente saiba quem ela foi. E se se cruzarem com a minha pequena numa rua de Londres, saibam que ela foi importantíssima para mim...



Claramente, estamos a falar da minha lindíssima bicicleta!!! :-D

Embora a tenha vendido por £100 (quase o dobro do que me custou), embora saiba que o novo dono, um inglês alto e enfatado (que regateou o preço como um leão), a vai tratar bem, embora o anúncio no Gumtree não dissesse tudo o que a minha querida bicicleta era para mim, nunca esquecerei o furo em Hyde Park naquela noite, as manhas ensonadas em que me conduziu de olhos fechados, os fins de tarde a cruzar a Tower Bridge ao pôr-do-sol! Adeus Cinzentinha, nunca mais terás um dono que faça 7 minutos de Old Street a Tower Bridge naquele transito infernal de principio de noite!

Adorei montar-te estes meses todos, adeus Cinzentinha! Adeus!

Quantas vezes choraste depois de desligar?

Hoje andei a vasculhar velhas memórias e encontrei muitos textos antigos inéditos meus: coisas que nunca chegaram a ver a luz da publicação! Uns fizeram-me rir, outros fizeram-me ter saudades de tempos idos. Outros ainda assustaram-me, por me mostrarem alguém que nem reconheci: que tive de me esforçar e olhar para as feições e os trejeitos vagamente familiares de alguém que já não existe e pensar Quem é este gajo????

Quantas vezes choraste depois de desligar?

Lembras-te? Quantas vezes fui criança, imaturo, infantil, desligado, parvo, insensível, frio, fraco, orgulhoso? Vezes sem conta... E quantas vezes choraste por isso? Quantas engoliste? Quantas te doeram? Quantas vezes te magoei demais?
Eu sei o número. Oscila entre um único numero: (as vezes em) que voltaste (para mim), que me enviaste afinal uma SMS, que me abraçaste (desgastada de discussões), que me quiseste de novo ao teu lado; e esse mesmo número (de vezes) mais 1... Tantas vezes nos chateámos como voltámos! É o detalhe que nos mantém juntos ou separados: a oscilação infernal em que transformámos as nossas vidas; o tempo entre as pazes e a zanga, entre a zanga e as pazes...

Eu continuarei a ser eu: assim, como quando te faço chorar. Assim, como quando te faço rir. Assim como quando te faço doer e como sou quando te faço sentir amada. Assim.
Fui eu, que te pus à beira de um ataque de raiva; um? Milhares. Eu que te fiz desesperar por um telefonema, ou por uma surpresa, ou por uma hora...
Fui eu que te fiz sorrir (como só eu consigo) só por olhares para o visor do telemóvel. Eu que com uma mensagem te fiz dormir mais quentinha e mais feliz.
Fui eu quem viste amuar no teu peito e fui eu quem mais desejaste ter encostado a ti nas tuas costas, à noite antes de adormeceres. Fui eu quem soubeste magoar e quem se arrependeu de te ter magoado também!

Hoje apercebi-me do quanto já deves ter chorado, ter sofrido, ter desesperado, ter praguejado às paredes por minha exclusiva causa... DESCULPA. Quero-me mal por ter efeito tão mau na mais bela coisa que conheço: tu. Não merecias mesmo nada.

Mesmo continuando a ser eu, mesmo sabendo que voltará a haver momentos em que serei estúpido e parvo, insensível e garoto, frio e desligado, orgulhoso e imaturo; mesmo tu sabendo o eu que sou, talvez não saibas que não será o único que não muda: Amo-te, e sinceramente penso que o sentirei sempre; que te amarei que vai durar: não mudará!

Por isso meu amor, fica comigo. Porque viver, só o é, nos momentos em que te faço rir, em que o meu coração bate mais forte e em que penso em ti. Não vou viver doutra forma, porque não sei. Não vou amar mais ninguém, também; e mesmo que o pudesse, não quereria.

XXXXXX, casas comigo? Amanhã?




Obviamente estava perdido de amores aqui o menino. Leio isto, e vejo o quanto vai longe, o quão irreal me soam os para sempres e o romantismo exacerbado de quem sofre por outra pessoa. Sem saudades, só posso olhar para trás e sorrir com ternura de mim mesmo e destes aninhos doidos: tinha 21.

Mas já fazia umas belas cartinhas de amor! :-P

A bici!

Um dia destes num solarengo fim de tarde, assisti a um episódio inspirador! Qual epifania: o acontecimento que se segue passou-se diante de mim e só faltou o ahhhh celestial e o cone de luz em cima de mim! Iluminou-me, fez-me pensar: aqui está o exemplo supremo da diferença entre as psiques, afinal, o meu tema predilecto!
Uma amiga, eu e mais dois amigos, no jardim. A conversa desembocou numa bicicleta! Uma dita bicicleta de que o meu amigo J. se quer desfazer por se mudar de cidade em breve:
- Por quanto estás a pensar vender a tua bicicleta J.? - perguntei eu num dos meus acessos de muda de assunto sem qualquer razão aparente.
- Ainda não sei...
E a S. interrompe-o e dá inicio a um momento sublime: - Ele está a pensar se a dá a alguém ou não, não é? - e recostando-se para trás, encosta-se nele e faz aquela cara de menina pequenina e muito querida a precisar de mimo. Com sorriso a condizer! Sem eu saber que isto já vinha de uma conversa anterior, o meu outro amigo presente explica:
- A S. está à espera que o J. lhe deixe a bicicleta de presente antes de se ir embora... - e enquanto o D. acaba de me elucidar com esta tirada, o J. abraça a S. e diz com sorriso demasiado safado:
- Deixa-me aproveitar o momento... - enquanto aperta o abraço e encosta a sua bochecha na dela: ambos sorridentes e a tirar daquele momento o desejado: ela a fazer charme para conseguir o presente, ele as aspirações dela para conseguir proximidade (física)!
Eu suspeito fortemente que o J. espera há algum tempo uma abébia da S. que (mais um comportamento tradicionalmente feminino) se finge de ingénua e descarta os avanços dele, por (simplesmente) não estar minimamente interessada.
- Mas que espertalhona! - digo eu, enquanto penso Porque raio há-de o rapaz de abdicar de £100 para oferecer a bicicleta? Enfim, é o poder feminino...
E é então que o comportamento análogo no masculino me é posto à frente dos olhos, como se de uma sobremesa gourmet (depois dum main course delicioso) se tratasse:
- Oh... Tu também ofereces a bicicleta a todas!!! - Ora, o J. de pele-de-safado-machão vestida solta uma gargalhada. Ela descola-se dele, de expressão indignada, da-lhe uma palmadinha com as costas da mão na perna e solta um sonoro Hei!!!!!

E lá aclararam que o J. já tinha sugerido também doar a dita cuja a uma outra (uma mais, pelo menos) nossa amiga em comum!



Isto fez-me reflectir! Chocou-me ver tão nitidamente ali aquela feminina postura de fazer charme para cima de alguém notoriamente interessado para obter um qualquer benefício, sem ter necessariamente de retribuir com algo mais que simpatia, companhia e vá, mais charme! Isso deixa-os pelo beicinho (da esperança, da eventualidade, da possiblidade) e a elas deixa-as com aquilo que elas querem obter (eventualmente)! É ancestral é natureza feminina, ponto! É também condenável e revolta-me!

Mas antes que eu pudesse crucificar (mais uma vez) na minha cabeça a psique feminina em particular e as mulheres em geral, eis que o destino me mostra o outro lado: o que é condenável e revoltante e masculino: então o gajo já estava a usar o truque do oferecer a bicicleta para cair nas boas graças de mais meninas??? AHAHAHAHAHAHA! Que dizer? Estava a ser cabrãozote e a maximizar as tais £100 da bicicleta (que pode afinal nem querer dar, só dar a entender que a poderá oferecer ao invés de vender) em múltiplos alvos proporcionadores de esperança/carinho! É ancestral é natureza masculina!

E não pude trucidar as mulheres, porque afinal, há sempre uma analogia perfeita entre as naturezas... Ou acham que alguma destas duas atitudes é mais reprovável que a outra?

Nos tempos que correm é provável ver mulheres a ter a atitude do J. (múltiplos alvos) e homens a ter a atitude da S. (fazer charme para conseguir algo). Eu já o fiz...

Ajuda, importante desta vez...

Olá pessoal! Desta vez, preciso MESMO da vossa colaboração! Mesmo, não é como daquelas vezes em que peço para responder a perguntinhas de £20M ou inquéritos pseudo-sexuais. Não! Agora é sério, e contarei votos mesmo de quem não se queira assumir e comente como "Anónimo", portanto comentem este post, por favor.

Preciso seleccionar 4 ou 5 textos meus desde Dezembro de 2008 até agora. Para quem não reparou há uma barra-tipo-calendário do lado direito onde se pode navegar para textos antigos. Simples: votem dizendo-me os 4 ou 5 títulos de posts que mais gostam (nem precisam dizer porque) num comentáriozinho! Simples e só se perde 5 minutinhos.

É importante para o futuro do vosso amigo... Explicarei mais tarde porque! ;-)

Fim-de-semana Lusitano (2)

No passado Sábado não me levantei às 8, mas sim às 11! O corpo não aguentava e bradava por repouso: tinham sido três noite in a row e mais uma vinha a caminho...

Assim, dormi mais umas horinhas e falhei as conferencias do senhor ministro Mariano Gago, do Marçal Grilo (agora na Gulbenkian) e preocupantemente do meu patrão o Basílio Horta (presidente da AICEP). Este trio ilustre ocupou toda a manha de Sábado no LUSO2009 onde só acabei por chegar à uma da tarde e para pasmo meu, acompanhado de dois amigos retardatários (pensava que só eu tinha coragem para aparecer só para almoçar no evento) o D. e a H.! (pronto, habituei-me a isto das iniciais...)

Deu para trincar algo, rever velhas caras tugas (com que não contactava há meses) quer da enorme comunidade dos pê-agá-dês (os que estão cá a tirar doutoramento) quer da comunidade ligada à diplomacia portuguesa no Reino Unido (pessoal da embaixada, consulado, câmara do comercio, AICEP, e afins) e assistir às tais afamadas conferencias...



Só uma valeu realmente a pena: era um investigador, um professor universitário inglês a trabalhar na Universidade do Porto! Entre as muitas coisas que disse, uma gravou-se-me na alma: defendeu que enquanto a cultura da cunha em Portugal não se desinstitucionalizar, enquanto ninguém acusar o estranho que é ter o sobrinho, a mulher, o cunhado e a prima do presidente de um instituto a trabalhar sob o mesmo tecto, Portugal não poderá fazer melhor! Isto é, só quando deixarmos de anunciar bolsas atrás-de-portas nos corredores das universidades portuguesas (de que falou maravilhas) para que só concorra quem o professor quer que concorra: nada a fazer pela meritocracia tuga! O professor no seu panegírico tom referiu virtudes imensas no nosso povo, no nosso ensino superior, na nossa maneira de fazer ciência, na nossa localização fantástica para o estudo da bio-diversidade (a sua field area) e (principalmente) no sistema de bolsas da FCT!

Na pausa para café, aproximei-me do orador, apresentei-me educadamente e dei-lhe os parabéns pela excelente apresentação: que tinha gostado muito dos dois ou três pontos negativos em que tocou do nosso sistema, adorado o que de bom referiu e muita sorte na sua segunda década de vida no Porto, por opção! Referi que já tinha visto muitas vezes o esquema de limitar os concorrentes a bolsas para que determinada pessoa seja escolhida. Simplesmente não se publicita a bolsa, já que o concurso tem de ser público obrigatoriamente.

Como ponto curioso, alguém no corredor me disse que no discurso do Dr. Basílio Horta (de manha) houve uma referencia também a corrupção: defendeu ele, que quando formos nós (jovens na plateia) a estar no cargo de poder decisório resistamos à tentação de contratar o amigo ou o primo (que até é capaz de desempenhar bem a função), ao invés do desconhecido tendo "só" por base de opção o seu mérito!

A meio da tarde, serviram pastéis de nata (dos bons!) que eu não apanhava à frente à meio ano... Desgraça!!! Empanturrei-me! Sentia-me em casa: bailarico de São João na Sexta à noite, portugueses por todo o lado no Sábado e como se não bastasse... pastéis de nata! Foi um ver se te avias... O café por sua vez, era intragável! Falhou a organização...

Esgueirámo-nos a meio da tarde, perdendo a sessão de encerramento: era preciso comprar um disfarce para a festa dessa soirée: 60s, 70s e 80s Party! A muito custo, com os sapatos a matarem-me, encontrei algo... Uma túnica hippie, uns óculos redondinhos (dos anos 60) e uma fita para o cabelo, com muita florzinha... Uma chanatas e pronto: vou de John Lennon! Dar-me-ia conta do abichanado que estava quando entro na festa, umas horas depois: A S. a primeira coisa que me diz é:
- Tás tao gay... - seguida pela versão mais nortenha da A.:
- Tás mesmo paneleiro pah... - com amigas destas, quem precisa de inimigos?

Ainda deu tempo para dar o salto à recepção (e viver esta situação inacreditável que mostra o pequenino que o mundinho é) na Residência do Senhor Embaixador (vénia) e trincar uns bolinhos de bacalhau, (mais) uns pastéis de nata (não tão bons) e um excelente tinto português.

Daí um saltito para mudar de indumentária meter mais alguma coisa no bucho e entrar nos copos (finalmente!)... A festa era em Clerkenwell num pub bem escuro e quente, com uma festa exclusiva no andar de baixo!

Foi mau... Vá, fraquinho. A festa éramos nós basicamente e o que valeu era sermos um grupo engraçado de gente, porque pouco mais havia! Lá mudámos de sítio (para um ainda com menos gente) mas com música audível e foi dançar e beber até de manha. Estourados voltámos para casa... Talvez tenha ajudado ao meu desconforto a túnica que afinal era um vestido (grande), mas enfim: saí assim à rua! Se não fosse em Londres, onde seria?

Domingo seria o típico Domingo de Londres: descansar, acordar, comer, lavar... Brick Lane!!! Estava ao rubro... Já há vídeos disso no FB e tenho de partilhar isto: também encontrei numa loja vintage um Camel genuíno em pele que regateei e foi o achado do ano!

O fim-de-semana Luso chegava ao fim, naqueles que foram os dias mais quentes do ano em Londres: isto parece outra terra. Sai-se à noite de calções e T-shirt e sandálias. Não se dorme durante a noite com a temperatura e dá gosto apanhar sol nas bentas... O Verão tardou mas chegou! Juntando a todos os condimentos portugueses (até o calor!) que vivi nestes dias, acho que até as saudades diminuíram um bocadinho! E nisto... faltam 20 dias para as férias!

A lata

Num post anterior, falei de lata, de descaramento. Há quem tenha bem mais que eu. Segue-se na íntegra um email (e minha resposta) de uma menina que não fala comigo há meses, ignorou convites e esqueceu-se de me convidar para umas festitas que por aqui houve. Tomou-me como o típico cromo-dos-computadores capaz de qualquer coisa para estar perto de uma fêmea insidiosa! Enganou-se... Estou bem longe desse estereótipo.



Nexis,
Olá, tudo bem?
Olha, primeiro que tudo, desculpa estar a incomodar-te com isto, mas não consigo ninguém que me ajude nesta situação e o "desespero" leva-me a contactar-te (já que és todo cromo e puseste os dedos numa ficha eléctrica em pequenino, o que faz com que pareças um geniozinho). O problema é o seguinte: o meu pc pifou. Bem, não pifou: cliquei numa tecla que eles mandavam no início e ele desformatou tudo...estou sem Office!! Tive de instalar o open office para me safar, mas aquilo é um horror! Além disso, ele retirou o meu anti-virus, que está em portugal...agora tenho um daqueles trials da net, que nem sei se são bons.
Podes dar-me um advice?? Ou quem é que achas que deva contactar?
Nota: o pc é mesmo meu. Não quis o da aicep.
Um bjim
--
M.


A minha reply:
Ola M., que é feito?

Obrigado por te lembrares de mim e esse súbito interesse em Engenharia. Se bem que dizeres-me que só o "desespero" te decidiu a contactar-me não é muito ajudador da tua causa...

Eu sou Engenheiro de Electrónica e Telecomunicações, estudei coisas interessantes como antenas, radiações, transístores e muita matemática e física. Computadores? Não percebo nadinha... E sim, meio despenteado.
Além disso, sou um jovem rapaz amante da vida boémia, dos amigos, das saídas e do convívio. Um miúdo que faz INOV em Londres e que infelizmente por razões obscuras não tem tido muito contacto com outros congéneres C13.

Adorava poder ajudar-te com a tua delicada situação informática ("cliquei numa tecla que eles mandavam no início e ele desformatou tudo...estou sem Office!!"), mas temo bem que nem te reconheça se me cruzar contigo em Portobello, e pior: ficar muito envergonhado por não conseguir resolver tão sério e complexo assunto: não sei o que é "desformatar" nem que tecla poderosa tens no teu portátil que consiga tal feito! O meu não tem essa tecla.

Ainda "ele retirou o meu anti-virus, que está em portugal...agora tenho um daqueles trials da net, que nem sei se são bons.", dizes que ele retirou o teu anti-virus! Ele quem? Retirou de donde? Parece-me que dificilmente o teu portátil voltará ao que era: por favor tem muito cuidado antes de usares a tal tecla!!! Rogo-te cautela!

"Podes dar-me um advice?? Ou quem é que achas que deva contactar?" O que te posso aconselhar, é o que digo acima! Essa tal tecla? Nunca mais lhe toques!
Quem podes contactar, é o J. que também é Engenheiro e é Engenheiro Informático! Muito mais de acordo com as tuas pretensões (até porque penso que tem mais contacto com a comunidade C13). Ele deve ter estudado, C, C++, Java, Redes e etc. Talvez ele te instale o Ubuntu e deixes de vez o Office!

"Nota: o pc é mesmo meu. Não quis o da aicep.
Um bjim
--
M."

O PC é mm teu, isso sim é um problema! Talvez devesses ter querido o da AICEP. Acho que agora faz mais sentido... Mas enfim, todos temos erros no nosso passado.

Um bjim enorme, cheio de saudades,
Nexis

Fim-de-semana Lusitano (1)

A tarde de Sexta-feira avançava rapidamente para as 5... Avançava para o que prometia ser um excelente fim-de-semana. Na empresa, por estarem cá uns bosses dos EUA, havia drinks à pato no bar da empresa e claro que iria aí beber a minha Super Bock (sim há Super Bock no bar da minha empresa! É a cerveja importada mais forte que eles vendem e é um orgulho chegar ao balcão e pedir a Portuguese beer!) depois do expediente! Só para aquecer e me custar menos a pedalar até casa...

Para a noite estava indeciso: um grupo da comunidade (tuga em Londres) ía para o Pacha, outro para o Koko e outros para a zona de Angel. Decidi ir com os que iam jantar primeiro a um restaurante portugues em Stockwell, sem saber o que me esperava...

Cheguei ao restaurante meia-hora depois do combinado, só para ter de esperar uma hora, porque o resto do grupo retido nos atrasos do tube chegaria uma hora e meia atrasado! As ruas estavam fechadas e cheias de mesas e cadeiras, havia fumo e música no ar: um bailarico! Um bailarico português com o Apita o comboio e o Aperta com ela, a sardinha, o entrecosto e o caldo verde! Desço do autocarro e os olhos humedecem-se...



A comunidade portuguesa festejava o seu São João, assim diziam os plásticos nos postes das ruas! A resolução de não beber álcool (tinha saído Quarta e Quinta e não queria andar 3 dias bêbado: andaria 4!) esfumou-se com o primeiro Martini a que deitei a mão. A hora que tive de esperar pelo grupo foi passada a ver aqueles portugueses... A reparar nas fisionomias que nos distinguem, nos portugueses africanos, nas crianças que corriam de martelinho na mão e na meia dúzia de raparigas e velhotas que dançavam contentes o nosso Pimba. Havia um sósia do Paulo Futre e portugueses de bigode e pronúncia angolána e ali senti a minha pátria, a minha língua e as minhas gentes... centro de Londres!



O resto do grupo chegou e as sardinhas começaram a ser roídas e regadas por uma sangria muito forte. Depois o frango e o entrecosto. O caldo verde tinha esgotado... Muito animados, dançámos, comemos e bebemos, como... Portugueses! E só quando o micro passou para bêbados a ensaiar uma espécie de fado à desgarrada, é que decidimos arrancar para Camden. Muito torcidinhos, fomos a cantar alto no metro e a cheirar a sardinha e a fumo entrámos no Koko! Aí juntámo-nos a mais um grupo da comunidade e curtimos o resto das horas...



Sair com a comunidade não é o mesmo que sair com wingman: separo instintivamente as coisas entre as histórias que tem feito d'O Pente famoso e sair com um grupo de amigos e amigas. Nos últimos meses, por ter viajado tanto, não passei muito tempo com a comunidade e devo dizer que me diverti muitíssimo neste FdS graças a ela. Aprofundei relações com compatriotas e confirmei, que nenhuma cidade chega aos pés desta (boemicamente falando), pelo menos nenhuma que eu tenha conhecido!

Sábado houve o LUSO2009 no Imperial College, Encontro de Estudantes e Investigadores Portugueses no Reino Unido; um evento para o que me tinha inscrito há mais de um mês e para o qual teria de me levantar às 8 da manha... Deitei-me às 5 em más condições físicas!

PS - Nesta noite doida, perdi as chaves de casa... Pelo que vou andar as próximas 3 semanas a tocar à campainha!!!

O Mundo é uma Ervilha! (5)

Este é das melhores ervilhas que esta rubrica já conheceu: emocionou-me muito por mexer com partes tão bonitas da minha vida.
Cenário: Recepção na Residência do Senhor Embaixador Português em Londres, no final de tarde de Sábado passado: ali estou eu, de pé (cuidando da minha postura) de sapatinho engraxado, camisa de Verão dobrada até ao ponto certo (com aquele ar nobre mas de estou pronto a deitar as mãos-à-obra), mas de calças de ganga já que o LUSO2009 era para gente jovem, "investigadores e estudantes" portugueses diziam eles.

Lá vou circulando pelo salão apinhado, trocando uns olhares de circunstancia e umas proto-conversas sociais, à espera que alguém suficientemente interessante me prenda a atenção por mais de dois ou três minutos... Quando reparo num mancebo do outro lado do tal salão que também me fita. Não desvio o olhar e penso Conheço-o de algum lado. Este gajo não me é estranho! Desvio-me do cavalheiro que me propôs (com sucesso) um copo de Planalto tinto e esquecendo a fome que me impelia para a travessa volante dos bolinhos-de-bacalhau, arranco decididamente para o tal jovem (acompanhado por uma menina de top salmão) interpelando-o:
- Olá! A tua cara não me é estranha! - digo-lhe eu. Noto que ele se sente um pouco acossado pela minha impetuosa abordagem.
- É possível! De Londres? De Portugal?
- Não, não. De Londres não. De Portugal.
- És de donde em Portugal?
- Sou de Mirandela, mas estou há muitos anos em Aveiro.
- Mirandela? - Diz meio surpreendido - Hum... Não estou a ver.
E naquele momento noto-lhe a pronuncia do norte de Trás-os-Montes. Chaves, Vidago, Vila Pouca de Aguiar ou Ribeira de Pena, talvez Vinhais.
- Pois, não sei. Estás há muito tempo em Londres?
- Há 3 anos. Doutoramento no Imperial College. - notei uma mistura com uma leve pronúncia emigrante, de quem fala muito inglês por dia, talvez passe dias sem falar português mesmo. - E tu?
- Eu só cheguei em Janeiro... - e as pausas silenciosas constrangedoras começaram a gritar. AWCKWARD!!!! Muito...
- Não estou a ver...

Felizmente, a minha amiga H. chega ao ao pé de mim, desbloqueando a situação. Apresentámo-nos os quatro e educadamente (talvez ela tenha pressentido a minha ânsia de fugir dali) a H. confirmando a fominha mútua, apoia-me quando digo que Vamos só provar alguma coisa e já voltamos! e afasto-me recuando de frente para eles a pensar Que idiota fiz de mim mesmo! mas conseguindo piorar ainda mais a situação com um Sim, eu já te volto a procurar, porque me lembro mesmo de ti de algum lado!

A cortesia social continuou e não conheci mais ninguém digno de registo, isto é, digno de trocar contactos para o futuro. Passado uma meia-horita, venho cá fora acompanhar as minhas amigas no seu cigarro e dou de caras com o tal casal de novo. Era ainda mais awckward esquivar-me agora. Então, muito menos impetuosamente embarco em nova conversa:
- Pois é, ia jurar que te conhecia! - E entre as duas conversas, tive tempo de massacrar a minha memória e espremer algo dela: ele assemelhava-se tremendamente a um professor meu, no meu primeiro ano fora de casa. Era caloiro de 18 aninhos e tinha entrado em Engenharia Química no Porto. Claro que não podiam ser a mesma pessoa: este gajo aparentava ter a minha idade, ou menos, embora o prof da minha memória também fosse muito jovem na altura. Irmãos! Vá, sem exagerar: parentes! Podem ser parentes! E pus esse dado em cima da mesa...
- É possível que nos tenhamos visto por aí, quem sabe.
- Tive um professor de Desenho Industrial na FEUP que era parecidíssimo contigo. Devo estar a confundir-te com ele... - A sua postura mudou. Abriu um sorriso e disse-me:
- Eu fui professor de Desenho Industrial na FEUP! Em que ano? - Comecei a falar mais rápido:
- No meu primeiro ano, 2000! Estive lá um ano em Química, mas depois mudei de curso!
- Eu dei lá aulas em 2000 e em 2001! Tinha duas turmas uma de Química e uma de Mecânica!
- Então pronto! Foste meu professor nesse ano!
- Deves estar muito mudado então, não me lembro de ti... Como é que te chamas? - E olha para o meu crachá que estava a usar no cinto e não na lapela - Tiago... Não estou a ver!
- João. João Tiago. Sim, estou diferente... Usava óculos nas aulas e não tinha assim o cabelo. - Como se a Primavera tivesse chegado, não sobrava qualquer gelo. E falávamos com um à-vontade relâmpago. Era ele! Ali estava o professor que mais me tinha marcado (na minha fugaz passagem pela Faculdade de Engenharia) que eu relembro vividamente! Tenho a imagem dele a explicar paciente e eficazmente perspectivas, cotas e outras parvoíces técnicas esquecidas, debruçado nos cavaletes enormes dos alunos e das alunas!
- Esse ano foi muito complicado para mim: estava a acabar o mestrado lá e tinha pedido para me porem as aulas todas juntas e chegava morto ao fim do dia! Mas ainda devo ter para lá umas folhas em Excel com o teu nome então! - E riu-se da sua própria piada.
- Eu lembro-me que eras muito bom professor, que fiz a tua cadeira com grande nota, das poucas que fiz antes de mudar de curso! Então e agora, que estás a fazer?
- Olha vim para cá tirar o doutoramento e agora estou a dar aulas no Imperial.
Era ele, de cabelo mais curto e sem barba o que o fazia mais novo. Ainda assim, deve ter-me dado aulas quando tinha 23, e agora terá os seus 32 ou 33. Expliquei-lhe numa frase o que me tinha acontecido e o que estava a fazer por cá.


Despedimo-nos muito satisfeitos pela coincidência Londrina, dei-me conta que estive a tratar um professor universitário meu por Tu, o que me fez sentir estanho, mas parecia-me tão novo e familiar que não consegui evitar, tomei-o por um jovem estudante e falei-lhe assim descontraidamente desde o início.

- Adeus sôr professor! - disse-lhe mais tarde enquanto abandonava a zona da embaixada a caminho da festa de Sábado a noite. Ele riu-se muito, quase tanto como a sua acompanhante. Eu também.

O que mexeu comigo este episódio é difícil de transcrever: encontrar alguém tão importante tantos anos depois neste contexto tão longínquo foi impressionante. Como já não tenho contacto (quase) com colegas meus desse ano da FEUP não tenho a quem ligar a relatar histericamente este twist do destino, que possa sentir algo de próximo do que eu senti se estivesse no meu lugar. O Mundo no Sábado passado foi uma ervilhinha mesmo!


A Hospedeira

No seguimento desta história, depois da abordagem descrita, recebi então a primeira SMS da caríssima K., a hospedeira da WizzAir.

Scrollando pela caixa de entrada hoje, vejo que trocámos um punhado de mensagens até nos termos encontrado Domingo à tarde numa esplanada perto do meu hotel, às 7 da tarde. Descobrimos que ela não estaria a fazer o meu voo de regresso (Gdansk-Luton) infelizmente... Porque na minha fértil cabecinha, já só imaginava tórridas cenas dentro do cubículo Toilet do avião... Pois, isso não aconteceu: na Segunda-feira, dia do meu regresso ela estaria de folga. Infelizmente. Mas a fantasia não está esquecida...

Fui ansioso para a date: a viagem (ao nível carnal) não estava a ser brilhante, a miúda tinha-me enchido as medidas no avião e eu queria mesmo alguma coisa naquela noite de Domingo! Chegou nervosa, vi-lhe as mãos que tremiam e o olhar que custava a pousar no meu. Isso tirou-me pressão instantaneamente!
Cheguei primeiro e tinha preparado tudo ao pormenor: o ângulo com que o sol me dava na cara a fazer-me os olhos mais verdes, a estratégia de Manda-me mensagem quando fores para o quarto! combinada com o meu compincha P., os botões abertos na medida certa...

No principio senti que lhe fazia um interrogatório: Então andas a ter aulas de que? Que idade tens? Há quanto tempo estás na WizzAir? Etc, etc. Ela ia respondendo a tudo e a única resposta que deu relutantemente foi a de dizer-me que era de 81. Sosseguei-a ao dizer que era de 82... Deu uma gargalhada por eu ser mais novo. Ignorei.

Pedi um café e ela uma cerveja. Estranhou muito e perguntou-me se não bebia álcool. Disse-lhe que sim e tentei atabalhoadamente explicar que ainda estava ressacado de Sábado à noite passado, que tinha dormido pouco, mas que já a apanharia. Mostrou-me que na Polónia é deselegante uma mulher beber cerveja sem ser por uma palhinha, como os homens! Continuo sem entender porque...

Tirou algo de Filologia Polaca e Inglesa e tinha sido professora de inglês em Gdansk antes de se meter na vida de hospedeira. Estava entusiasmada com a recente compra do seu próprio apartamento (receberia as chaves daí a uns dias) e explicou-me que fazia 4 voos por dia: Gdansk-Luton e Gdansk-Dortmund. Como é algo que pica o meu lado curioso, perguntei-lhe muitas coisas sobre a sua profissão. Disse-me que só pernoitava em Londres (às custas da companhia) se houvesse problemas no aparelho ou climatéricos. Explicou-me que quando isso acontecia a crew ficava triste, porque tinham planos para essa noite em Gdansk e porque mesmo que quisessem sair, não tinham roupa (só o uniforme) e pouco havia mais a fazer que ficar no hotel a descansar. Nunca tinha pensado nisto.

Depois da segunda cerveja a conversa ficou mais afrodisíaca. Contou-me o lado da história dela, do que sentiu e pensou quando me viu e captou a minha atenção. Que nunca ninguém por quem ela tivesse interesse lhe tinha dado o numero e que estava desejosa que eu falasse com ela durante o voo, entre outros pormenores infladores-de-ego... Fiquei nas nuvens.

Mudámos de bar, porque afinal ela era local e podia-me mostrar a cidade de maneira bem mais interessante! Mais uma cerveja e primeiros beijos. Beijava bem. Fomos a um bar-barco no rio e mais uma cerveja. E mais beijos. Saímos desse por volta da meia-noite, eu tocado ela bêbada. Aí, na rua, o ambiente aqueceu imenso... Estávamos a gostar muito um do outro e se antes só pensava Saquei uma hospedeira!!!!, agora já a via como uma rapariga bonita e interessada em mim. Contra um qualquer edifício escondido, pleno de rica história polaca, de invasões Teutónicas e Alemãs, e com as tremendas descargas hormonais, a K. lá cedeu ao desejo e me convidou para irmos para o meu hotel: aí... uma analepse cruzou o meu espírito:
- Companheiro, queres partilhar o quarto ou tens nojo de mim? - pergunta-me o P. uma semana antes de voarmos para o Báltico.
- Porque??? Tens problemas em partilhar a casa-de-banho, seu paneleiro??? - eu trato os meus amigos próximos carinhosamente.
- Se ficares comigo são £25 a cada um por noite.
- Pronto.
- Pronto o que? Ficamos juntos ou separados?
- Acho que já respondi P.! Se a que sacares for melhor que a minha, fodemos a quatro. Senão é cada um com a sua!
Silencio dourado e arquear de sobrancelhas do P.! - Vou marcar...

E naquele momento arrependi-me de ter escolhido partilhar quarto. Na minha cabeça, caso corresse bem a viagem, lá negociaríamos tempos e como bons amigos, partilharíamos o quarto de acordo com as necessidades. Mas de repente, essa teoria já não me fazia tanto sentido.

Expliquei à K. que não estava sozinho no quarto. Que até podia pagar um outro quarto, mas que me tinha de meter num táxi para o aeroporto às 4 da manha com os meus amigos, e já era uma: não valia a pena! Ela consentiu. Mas o fire continuava nos olhos dos dois e era urgente encontrar uma solução sem ser o When you come to London we'll finish what we've started! A miúda ainda mora com os pais e achámos prematuro conhecer os velhotes! Solução?

Despedimo-nos a combinar rever-nos em breve, afinal ela vem várias vezes por semana à Bretanha! Não será difícil ficarmos amigos!

Ah... Ela tem um Mazda. Vermelho. Confortável, não reparei no modelo...

Wingman

Ontem fui o wingman perfeito: depois de ouvir Comia aquela ali de top cor-de-rosa pah aproximei-me imediatamente da dita e disse-lhe:
Hi! Have you met Miguel?

Ela disse que não. Mas sorridente começou a falar com ele! Eu fugi muito rápido... Deu-me tanto, mas tanto prazer este procedimento inédito até à data, que fiquei um bom bocado a sorrir de copo na mão enquanto os espiava desde o outro lado da pista...

(Para quem conhece How I met your mother, isto faz muito mais sentido...)

É por isso que eu adoro esta cidade (9)

Na noite em que o Michael Jackson morreu, estava nos copos com um tuga, 2 alemães, outra tuga e uma americana. Antes de irmos ao Mahiki estivemos na palheta no Chando's de Trafalgar Square... Sim, é verdade, ontem foi noite da dinâmica: pub, gin tónico, club, mais gin tónico, dança, gajas e este-é-o-último gin tónico. Resultado? Cheguei depois das 4 a casa, e está a ser uma manha bem complicada aqui no escritório. Mas valeu a pena... Oh oh se valeu a pena!

Foi uma noite em que me diverti muito, gastei e bebi demais, e bem condimentada com novos connects. Mas à parte disto, devo dizer que quando se começou a saber que o Micky tinha morrido, SMS como
Where were u when Lady Di died? Where r u now? Michael Jackson just died!

começaram a circular. Não fez muito sentido para mim. Tal como ouvir o Thriller e a Billie Jean, is not my lover dez vezes numa noite anunciava que algo se estava a passar.



Um dia, quando falarmos de ícones, direi que na noite em que este morreu (acabei de ler que o estão a comparar ao John Lennon e ao Elvis Presley) eu estava a curtir os sons dele em Londres!

Como uma desgraça pode ser uma oportunidade, aprendi rapidamente com as Londrinas-interpeladoras-de-latinos que um Have you heard? Michael Jackson is dead! ontem e só ontem, era um início de conversa como qualquer outro no meio do barulho das luzes.

E resultava.

É por isso que eu adoro esta cidade (8)

Ontem fui sair, again. Saí muito cedo, sem destino! No metro, peguei num The London Paper e fui à secção de In&Out Tonight: várias páginas com tudo o que se passa na cidade nessa noite! Cinema, teatro, espectáculos, gigs, clubs.

O que são gigs? São actuações de bandas/cantores ao vivo em pequenos locais. Uma cena britânica. Quem me meteu o bichinho do gig, foi a menina deste post que me falou maravilhas de ir regularmente a gigs em antros escuros por essa Londres fora. Pubs típicos acolhem bandas embrionárias e ela falava-me com orgulho de ter visto The Killers e Artic Monkeys em gigs de graça quando os gajos ainda não eram famosos e pensar This guys gonna be great! Acertou... E pôde dizer a toda a gente que os viu mesmo nos seus inícios!

Então ontem, ao ver a página de Gigs no jornal decidi que ia iniciar-me nestes concertozinhos que começam às 7pm ou 8pm e acabam antes da meia-noite. Assim, nas próximas 3 semanas restantes, eu e o M. vamos escolher à vez um Gig num qualquer ponto da cidade, e depois do trabalho vamos até lá! Pode ser que tenha a sorte de ver antes de toda a gente uns Oasis desta década! De Segunda a Quarta: Gig! Porque Quinta, Sexta, Sábado e Domingo é outra onda... Clubbing!

Acordada esta resolução de fim-de-INOV (a começar para a semana), escolhemos uma festa (e não um Gig) das muitas ofertas! Dizia assim:
MIDWEEK MADNESS at ESCAPE SOHO
DJ Steve B. hosts Funk, R&B, House and Pop in a great dance night
Brewer Street, Soho

Lá nos encaminhamos para Soho, saindo em Tottenham Court Rd. Ora, uma nota sobre Soho: é uma área cheia de bons restaurantes, muitos pubs e clubs, sex shops e muitas famosas livrarias (principalmente com livros de tema, sexo). É muito agradável durante o dia, mas à noite é completamente gay! É a zona no centro de Londres onde pára a comunidade lésbica e homossexual e outros desviados...

Ignorou-se isto e pensando Há-de haver clubs hetero em Soho! lá chegamos ao sítio escolhido... Escape at Soho! Chegados à porta, deparamo-nos com este letreiro:



As cores do arco-íris em cada letra deixavam bem claro que tipo de festa haveria lá dentro... Gay!!! Tinhamos ziguezagueado respondendo No thanks por entre dragqueens, travestis, bichas e outros seres duvidosos que nos estendiam flyers à nossa passagem para locais que nem ousamos imaginar. Mas tínhamos sobrevivido. Rimo-nos da situação. Mas de repente... De repente reparámos no que trazíamos vestido:

Esta Tshirt tinha sido amor à primeira vista: vi-a no cabide e achei-a demais. Tem algo a ver com este post e achei a mensagem hilariante. A cor também não estava mal, sendo uma cor de Verão.



Se fosse uma gaja, tinha sido grande paixão, ao primeiro relance. Mas depois de a usar a primeira vez... Revelou-se uma péssima escolha, não tem DE TODO o efeito para que a imaginei! E se fosse uma gaja, era como se tivéssemos tido uma empatia perfeita, e depois de despojados das roupinhas e de fazer o amor tendo sido francamente mau, (daqueles em que tenho de fingir um orgasmo) a miúda nos meus braços me tivesse dito Amo-te, já comprei o bilhete para Londres e volto contigo! SACODE!!! Mas que calafrio: nunca mais olhava para ela da mesma forma!

Ganhei uma Tshirt para levar para a praia, talvez jogar à bola; mas para sair à noite (tal como a elite das nossas roupas)??? Nunca mais! Foi despromovida! Como seria essa gaja também... Talvez a voltasse a procurar para umas voltitas (uma nova oportunidade) à boa maneira safadola de Save it for a rainy day, mas fugiria a sete pés enquanto houvesse alguém acima dela na minha listinha! Mas sim, talvez voltasse, abrindo caminho com falinhas mansas porque uma parte de mim, continua a achar a Tshirt gira...

Voltando a Soho,
- Oh pah! Se calhar não foi muito boa ideia ter vindo com uma Tshirt que diz The deeper you go the better it feels! para Soho... UMA TSHIRT AMARELA!!!!
Ele parte-se a rir, muito. Um ataque de riso daqueles incontroláveis que o fez cuspir a pastilha elástica!
O meu sorriso transformou-se rapidamente em olhares de soslaio. Amedrontado disse-lhe:
- Ri-te ri-te, oh mister SATISFACTION GUARANTEED!!!! - E olhando para a mensagem da sua própria Tshirt, pararam abruptamente as gargalhadas. Apressámos o passo e escapámos em direcção a Picaddilly, território mais hetero...

Queria mesmo muito ocultar o pormenor de um larilas me ter perguntado ao apontar para o meu peito How deep do you usually go? e um sorriso maroto... Sim, é melhor nem falar nisso...

Verão à porta!

Chegou o Verão! Porquê? Porque o melhor queijo de barrar (industrial) mudou para a embalagem de Verão: para o proteger do calor até que chegue ao nosso frigorífico!



O maior passo em direcção à perfeição das minhas sandochas de salmão fumado, desde que comecei a marinar primeiro o peixe em toranja espremida! ;-)

A semana dos papelinhos

Na Quinta-feira passada foi noite de sair. Eu e o meu amigo M. esgueirámos os nossos pomposos nomes para a guestlist de um club do centro, em Piccadilly. Quem é o meu amigo M.? Ora, como é sabido, o meu blog não e anónimo! Isso traz desvantagens, como por exemplo não poder relatar tudo, tal qual se passou e obviamente ter de ocultar pormenores da minha intimidade, detalhes que eu acho que não devo ou não posso divulgar. Por não ser anónimo, não significa que as pessoas que interagem comigo, tenham de ser identificáveis também, por isso (sem consentimento prévio) não exponho identidades de pessoas indirectamente narradas n'O Pente. Tenho visto blogs, que para se referirem a terceiros usam a inicial: o meu amigo J., a minha colega A.! Assim sendo, achei que se sou um bloguista respeitado, tenho de fazer o mesmo e proteger a privacidade dos que me rodeiam.

Então doravante, neste post ao meu amigo Londrino (aquele lisboeta que está a fazer INOV como eu), que tem viajado muito comigo por essas coboioadas Europa fora e que põe uns vídeos comprometedores meus no Facebook, o Miguel (para quem ainda não percebeu), vou só chamar-lhe M.! Isto porque não quero estar a entrar na vida pessoal das outras pessoas que não têm culpa de eu gostar de escrever umas merdas na net, ok?

Voltando a Quinta-feira passada: saímos cedo e jantamos em Leicester Square. Demos uma volta a pé e filosofamos sobre a vida, o coração, as gajas... e em passo demorado fomos para o Vendome. Chegados lá os porteiros disseram-nos que era demasiado cedo... Que só abriam daí a pouco. Nao entramos.
- M. caga! Não me apetece esperar. Vamos a outro sitio!
Acendeu um cigarro - Onde? Zoo Bar? Mahiki? Tiger Tiger? Sports Café?
- Sports Café nunca mais, morreu! - longa história - E Zoo, já não dá para mim, não funciono lá, tu sabes.
- Oh pah... - mas interrompi-o:
- Nem penses M.! Não vou ter outra vez a discussão do Zoo Bar contigo! Vamos a um pubzinho... - disse-lhe a medo.
- A um pubzinho??? Puto, a mim apetece-me bombar hoje!
- Eh pah... A mim nem por isso sou-te sincero. Vamos beber umas pint! Amanha voo para Gdansk, ainda nem fiz a mala pah. E nao quero chegar (muito) atrasado à empresa!
A custo o M. concedeu.
- Vamos aonde então?
- Olha, vamos ao Warwick, é perto!

E lá partimos nessa direcção. Então mas o que é o Warwick? É um pub. Um pub com uma pequena pista no andar de baixo. E tínhamos ido lá uma vez há muitos meses, em Fevereiro, quando ainda os C12 estavam em Londres. Dessa noite resta basicamente o seguinte: o M. tinha acabado de chegar. Tal como eu (na primeira vez em que saí com os C12) enrolámo-nos com umas nativas, uma espécie de prenúncio do que seria o reinado C13, escandalizando a comunidade C12. Mas dessa noite no Warwick, pouco mais me lembro. Álcool...

Por sua vez, o M. lembrava-se de muito mais. Ao chegarmos ao balcão, diz-me ele baixinho Cuidado que essa aí entende português! e aponta para uma empregada gira, morena e baixinha. Como é que sabes?? perguntei. Mas ela veio atender-nos e diz-lhe ele:
- Olá! Então tás boa?
- Hey!!! I remember you! - responde ela, sorridente.
- You speak portuguese?! - atirou ele intrigado.
- Yeah, a little bit!
- Because of your brazillian friend, right?
- Yeah! There's been so long! You never came back...
E enquanto eles iam batendo estas bolas eu ali estava de sorriso-de-wingman na cara a dar apoio, para um alvo numericamente inferior demais para a equipa... Bom, basicamente, estava a apanhar do ar e com cara de estúpido. Mas o M., traz-me para a conversa, apontando para mim:
- You remember me? No: you remember him, right? Because of his hair... - E aponta para o topo da minha cabeça, desenhando com a mão um tipo de carácter oriental que eu nunca entendi até hoje, apesar da familiaridade da alusão.
Ela olha para mim. Olha para ele e volta a olhar para mim.
- No, no! I remember YOU! - e ele fica de novo com toda a atenção da lambisgóia.

O M. fica meio encravado pela surpresa da resposta incomum. Resolvo o silêncio com o tradicional Então eram duas cervejinhas faxabor! E ela lá no-las serve.

Pagamos, pegamos-lhes e fomos sentar-nos. Durante meia hora tentei empurrar o M., como mãe-ganso a incitar os patinhos para a água, para a abordagem à inglesa. O M. traz-me carcaças, já eu sou mais gentil! Durante uns bons 30 minutos, bombardeei-o com o que o meu sexto sentido captava: a gaja queria-o. Queria-o dentro dela. Dizia-o no sorriso, nas mãos, no caminhar. Disse-o durante cada fonema do diálogo deles de que fui espectador. O M. não se apercebeu de nada daquilo. Fui buscar um papel e uma caneta.
Com uma expressão grave: Caro M.: vais escrever aí alguma merda, o teu número e o teu nome e vais dar à garota! - Ele olhou para mim e reparou na minha cara de não há argumento possível e tens de fazer o que eu quero! Anuiu muito resignado e desviou o olhar para o tecto à procura de uma qualquer frase que encaixilhasse o mais importante: "07XX XXX XXXX, M." Uma frase que em caso de indecisão a fizesse ligar o número dele. Ainda tentou consultar a mãe-ganso, mas só lhe lancei um gesto de quem já o levou demasiado perto da borda da água. Tinha de o fazer sozinho.

Levantou-se com aquilo escrito. Deu-lho e não sei o que lhe disse. Saímos logo a seguir. Ainda não era meia-noite e assim podia ir de tube para casa! Estou a meter-me na cama, quando vejo M. no visor do meu telemovel:
- Hey, oh chavalo! A gaja do Warwick mandou-me agora uma mensagem!
- Entao?
- It's a petty you only gave me your number now. I'm leaving London in 10 days...
- Dez dia pah! É a da despedida! Nunca mais a vês!
Riu-se o patinho recém-nadador. - Ya...
- Vai para onde?
- Vai trabalhar para a Indonésia e depois para a Austrália!
- Boa, boa! Tens de marcar algo com ela rapidamente...
- Sim, é isso!

Desligámos. Adormeci sorridente pelo M.!

Vinte e quatro horas depois, estou eu nos céus, algures entre o mar do Norte e a Dinamarca a caminho de Gdansk. Entrei no avião e a hospedeira que me recebe na cauda depois das escadas periclitantes móveis saúda-me com o habitual welcome. Paro (porque a miúda é gira) e pergunto Is it full?, truques que todos estes voos me têm ensinado! Ela meia sem-jeito (que na altura interpretei como antipatia) responde one hundred and sixty e qualquer coisa. Eu aceno um ok e sigo à procura de um lugar vago. Estava muito cheio, não havia. Excepcionalmente deixaram-nos sentar nos lugares das asas, os que estão directamente nas saídas de emergência bem no meio do aparelho: isto só acontece quando o avião vai mesmo cheio. Por estar sentado ali e na coxia, quando veio a parte dos gestos, da máscara e do colete insuflável, a hospedeira estava mesmo à minha frente, e (há coincidências?) era a mesma que me tinha recebido a bordo.



Esse momento foi mágico: passei a demonstração a provocá-la. Com cuidado e subtileza é uma posição em que deve ter muitos toscos a chatear, pensei. Ela retribuiu (demais, segundo o meu companheiro do lado) os meus olhares. Eu sorria e ela sorria o que podia. Aquele uniforme justo da Wizzair ficava-lhe bem demais...

Continuei o flirt, quando ela passou de trolley. Duas vezes. Levantei-me e fui à casa-de-banho só para lhe perguntar uma estupidez qualquer. Longe de imaginar, que ela mal pôde esperar pelo momento em que finalmente tinha decidido ir à casa-de-banho da cauda do avião.

Aterrámos e deixei-me ficar para último. Tinha escrito num papel If you ever come to London, call me. 0778 XXX XXXX e assinei-o. Com a maior lata do mundo, parei à frente dela:
- Hi! Are you from Gdansk?
- Yes.
- Are you working this weekend?
- Well, not tomorrow, but I have classes...
- I'll be here in Gdansk. Call me if you want...
Sorri depois de tirar o papelinho do bolso da camisa. Desci.

Assim, sem nomes, sem indirectas, sem nada! Só lata, muita lata. E sorrisos vá... isso pode ter ajudado. No dia seguinte Sábado à tarde, recebo a seguinte SMS:
Hi! How r u doing? Enjoying ur weekend? Any interesting plans 4 2morrow?
xx
K.

Foi a primeira de muitas. Domingo encontrámo-nos... Mas aqui paro a história para a continuar no próximo post só: A Hospedeira!

Como não há duas sem três, falta a última historinha d'A semana dos papelinhos: No Sábado à tarde, vamos tomar um café no meio do Báltico, no maior pontão da Europa, em Sopot. Um lugar lindo e com muito status...



Fomos a um bar envidraçado mesmo ao fundo do pontão em cima da água, chamado Molo. Aí havia umas polacas (a servir à mesa) lindas, um regalo para as vistinhas cansadas (da noite anterior). Princesinhas mesmo! E simpáticas. Uma delas era extremamente simpática e comecei a meter-me muito com ela e, potenciado pelos sorrisinhos envergonhados que o seu mau inglês proporcionava, lá devo ter feito com que a miúda me achasse piada. E assim, quando pedimos a conta dos capuccinos e chocolates-quentes ela aproxima-a de mim, olha-me a sorrir muito e pousa-a. Bate duas vezes com os dedos em cima do papel como quem aposta num jogo de Poker... E só se afasta da mesa depois de EU lhe pegar.

Por baixo da conta estava um cartão para a festa dessa noite, lá no Molo a partir das 22h. No cartão estava escrito a caneta o número e o nome da princesinha simpática. Nao viria a ter sorte a polaca...

Explicou-me que nessa noite era a primeira festa de abertura da época estival que é muito boa (supostamente) lá. Mas que estaria a trabalhar na festa e não sabia a que horas despegaria... Ainda lá fomos dar um salto à tal festa: nada digno de registo a não ser a polaquinha doce do cartão. No Domingo estava livre, mas no Domingo ja tinhamos decidido visitar Gdansk e não voltar a Sopot. Além de eu ja ter outros planos...

Os papelinhos marcaram a semana: eficácia e surpresa numa técnica que não domino, que nunca explorei. A rever! ;-) Sugestões de mais experientes nisto?

Báltico Sul - Gdansk

Com já expliquei, Gdansk é uma cidade polaca, na costa sul do mar Báltico e foi o destino escolhido para a última viagem do aero-rail. Coisas que eu não sabia sobre o sítio:
É pequeno, meio milhão de polacos. Faz parte das chamadas Tri-city que são basicamente cidades onde a alta sociedade polaca vai veranear. Ou seja... Muito narizinho empinado por aquelas bandas... o que até pode ter a sua piada...



Esta paragem era diferente, tinha tudo para o ser: não fui com nenhum INOV; fui com dois Tugas que conheci por estas bandas. Um (supostamente) especialista em estudos polacos: visita frequentemente o país com os seus conhecidos atractivos sexuais e por ele espalhado tem deixado diversas amigas. O outro, um amigo na mesma onda que eu.
Ficamos hospedados num hotel muito bom, mesmo no centro de Gdansk. Aterrámos na Sexta-feira, tarde, pousámos as coisas, aperaltámo-nos e fomos sair. Fomos sair só para encontrar à nossa espera uma cidade deserta! Com o que já conhecia de Varsóvia: tudo muito barato, polacos xenófobos e... polacas.

Rapidamente aprendemos que as gentes de Gdynia e Gdansk (as maiores cidades) vão sair para Sopot! Um táxi depois estamos em Sopot para dar finalmente início à noite.

Não correu bem... Além da surpresa do frio (parecia Inverno), vi pela primeira vez na minha vida (também só tinha estado em Varsóvia antes), polacas feias, muitas polacas feias! Feias e com a mania: difíceis! E para completar, polacas que não bebem! Polacas, feias, sóbrias e difíceis. Tudo isto com 9 graus centígrados! A noite foi quase um completo desastre... Senti na pele a hostilidade dos rapazolas polacos (que são grandes como camiões) para com estrangeiros: os olhares, as bocas (que não entendemos, mas imaginamos que coisas boas não são), a antipatia. E as mulheres (como se fossem um tesouro do sul do Báltico) protegidas pelos compatriotas, não demonstravam aquela alegria (por nos ver) característica que tão boa fama trouxe às polacas.

Veio o Sábado, a tradicional ressaca, mas desta vez atenuada por um pequeno-almoço na unidade hoteleira, digno de um oligarca. Tudo do bom e do melhor. Assim vale a pena. Almoço, e finalmente ver o Báltico, esse mar gélido e estranho. Nada se compara ao nosso Atlântico e só depois de ver o Adriático, quando vivi em Itália, percebi que há povos com uma definição bem diferente de "mar" que a nossa. Este mar, é um lago grande, ligeiramente salgado, mais escuro e sem ondas. Dizem que ver ondas congeladas é uma experiência muito diferente, mas isso eu não cheguei a ver... Visto o mar e a praia (também muito diferente das nossas) depois de sentir a falta do iodo, da maresia e do peixe no ar, tivemos de novo uma refeição de reis e era tempo de voltar ao hotel e quitar a imagem para a noite de... Sábado à noite! Sim, porque não fomos à Polónia para fazer refeições de 200€ por 10% do seu valor. Tem a sua piada, mas comer, é só o segundo maior prazer do mundo...

Sábado, os meus piores medos confirmaram-se: discotecas cheias de polacas pouco atraentes. Um fenómeno! Se de Varsóvia tinha ficado com a impressão (à semelhança da grande Europa de leste) de que era uma bizarria da natureza, gerações e gerações terem produzido mulheres tão bonitas e homens tão broncos, aqui a realidade era diametralmente oposta. Um dos meus companheiros de viagem, avançou com uma teoria nova: nas guerras medievais, tão frequentes nestes estados europeus, as mulheres eram escolhidas para escravas sexuais. Quem era escolhida? As boas, as bonitas! As outras, fodiam-se! E quem as escolhia e as mantinha? Os senhores da guerra, os poderosos, os generais. Assim, tínhamos os broncos violentos a procriar com as melhores, fazendo através desta selecção artificial os povos que conhecemos hoje. Curioso? Eu avancei com a adenda, em jeito de corolário à sua teoria: E as feias, foram todas mandadas para o Norte! Aqui é tão frio que ninguem queria isto para nada, não houve a tal selecção artificial!
A vodka polaca ajudou nestas indagações claramente.



Lá se conseguiu encontrar (depois de bem procurar) umas polacas bonitas e afáveis. E depois disso, foi tempo de vencer a hostilidade de pertencer à alta sociedade, e só depois houve claras hipóteses de algo com alguém atraente. Não foi fácil...

Domingo salvaria a face e inesperadamente faria com que viesse a concretizar uma fantasia minha! O Báltico ficou gravado (como todas as outras viagens) pela(s) miúda(s) que por lá me acharam piada: as paisagens e os lugares nunca marcam tanto como as pessoas; tem muita piada recordar (quando converso com companheiros) os sítios pelas miúdas que lá conhecemos, como beijavam, como se comportavam... e não pelas catedrais e as óperas e os bares.

Coincidentemente, Domingo à noite foi a melhor noite por terras polacas, tal como em Varsóvia. Mas disto falarei nos próximos posts: A semana dos papelinhos e a "Hospedeira". E com esta trilogia, cobrirei a viagem do Báltico.

Memória Olfactiva

Hoje descobri que o meu batom do cieiro ainda cheira ao perfume da menina deste post! Fez-me suspirar...


Claro que o tamanho importa!

O tamanho é como a inteligência: o inteligente médio acha que está acima da média! E ninguém se importaria de ser um nadinha mais inteligente. Tal como nenhum homem se importaria de ter mais 2 ou 3 centímetros no seu membro predilecto! Mas a verdade é que as aberrações por excesso (aquelas que magoam mais do que dão prazer) e as aberrações por defeito (aquelas que não tocam em lado nenhum) são poucas, uma minoria. Portanto partimos do principio que temos todos pénis médios, mas que todos gostaríamos de os ter ligeiramente maiores.

Quem inventou a frase do size doesn't matter ou era um homem de pénis comprovada e curtamente ineficaz, ou era impotente, ou pensava que o seu pénis médio era realmente pequeno. Ou então foi uma mulher parva, ou estupidamente apaixonada (por um homem de piça curta), o que vai dar ao mesmo.

Claro que o tamanho importa! Sempre importou, sempre importará! E nós sabemos disso e sabemos que antes queremos ter um grande e preguiçoso que ter de ter um trabalhador! Porque o trabalho treina-se e o tamanho... Bem, não podemos fazer nada quanto ao tamanho do nosso proporcionador orgástico! Cada um nasce com o que tem e morrerá com ele numa versão mais gasta, ponto.

Então é injusto e virilidalmente arrasador sentirmos que o nosso tamanho não chega. Não toca lá onde está o que precisa ser tocado, apertado, fodido. E quando o tamanho não alcança o ponto certo, nós sabemos; claro que sabemos. É uma questão de profundidade... É devastador, porque não há nada que possamos fazer quanto ao tamanho, nada.

E eis que chego aonde queria: qual será o paralelismo? Qual a analogia com o tamanho, no feminino?
Bom, há um assunto delicado de abordar que é... pausa... o aspecto de uma vagina, vulgo cona! Sim, o aspecto. Se houvesse uma analogia possível com o tamanho importa para uma mulher, seria este: o aspecto da sua íntima anatomia. É verdade e preparem-se para a revelação: há periquitas (ah como detesto usar nomes de animaizinhos para falar de ratinha!) que sabem melhor que outras, que são mais bonitas que outras, que apetece lamber mais que outras! Raios até há umas que cheiram melhor que outras (consistentemente, isto é, lavadinhas) e não há nada que a dona possa fazer! Depilação, creme ginecológico, botox... nada!



Quando viajo pelo historial de memórias sexuais, lembro-me de 4 ou 5 meninas que tinham a felicidade de ter entre as pernas um sexo fantástico. Bonito, apetitoso, que me dava vontade de passar o dia a lamber aquilo tudo... Não quero ser mal interpretado: oral é sempre oral, o expoente máximo da atracção física. Mas houve nos meus dedos e no meu palato um punhado de eleitas que se eleva acima de todas as outras (nesse campo). E isto é uma máscula, lógica e racional análise, sem interferências do quanto eu possa ter gostado das moças, do quão boas foram na cama, quanto prazer me deram, quanto me fizeram a cabeça em água depois do final ou quanto me partiram o coração por um final prematuro. Nada: objectivamente só o órgão delas na minha marquesa devassa de dissecação psíquica!

Sim, é verdade: há clits que dão vontade de lhes oferecer o nosso mundo numa língua prateada, lábios que nos fazem ficar mais duros quando lhes tocamos, montes de Vénus esculpidos a cinzel. Quando encontramos uma dessas, só paramos quando o maxilar dói e a língua fica dormente... E claro, a pica de olhar para uma coisa tão bem feitinha e entrar por ali a dentro é indescritívelmente rasgadora de sorrisos, daqueles que escondemos pondo a cara mais perto da orelha dela, sem parar o vai-e-vem.

Portanto,tamanho? Of course it matters!

É por isso que eu adoro esta cidade (7)

Estes ingleses realmente falam muito, mesmo muito sobre o tempo. Aflige-os! Ou então pouco mais interessante têm sobre que falar. Assim, o tema weather é sempre um tema seguro e popular!

Às vezes, nos corredores da empresa, na fila para pagar o almoço ou no elevador, naqueles intervalos intermináveis em que se está com alguém desconhecido mas se sente que se tem de dizer alguma coisa, o tempo é sempre, sempre o melhor tema: se estiver mau, queixamo-nos do lousy weather (se o interlocutor não for inglês, entao arriscamos o lousy English weather), se estiver um tempinho mais-o-menos uma admiração fica sempre bem And this weather? Is this English spring?, se estiver bom tempo... Bom, se estiver bom tempo nem sei o que dizer: aqui nunca está bom tempo! Está bom tempo se nos esquecermos de como é o NOSSO tempo e compararmos com o tempo daqui.



Ontem estava eu a pedir o meu expresso quando a máquina registadora encrava e tenho de esperar que a menina chame alguém para compô-la. Nesse entretanto, um diálogo tem de se estabelecer, obviamente... o tempo é o assunto!
- Have you seen this weather? - lanço eu.
- Yeah, it's horrible! But it's getting nicer I think.
- But we still have all four seasons in one day!
- True. It was so sunny in the morning, now look! - e ela aponta para as nuvens escuras que cobrem a cidade.
- I miss my weather!
- So do I! I'm from Sierra Leone. It's so warm there, I'm always thinking of returning. I'd stay there, but then... When the money runs out, I starting missing this, and I come back! - e aqui não pude evitar um pensamento ligeiramente racista... (Sim ela era pretinha) A imagem de a ver estourar o dinheiro que ganha cá num mesito de férias em África e depois só voltar porque os trocos se acabaram, confesso que me pôs um pensamento estereotipado na cabeça. - Where are you from?
- Portugal.
- Portugal? Oh... It's warm there? And you have the ocean... How warm is there? Isn't it like this?
- No! It's so much warmer there!
- You have flies and mosquitoes?
- Of course we have!
- Oh then, it's definitely warm in Portugal!
- It's like 40 degrees sometimes in the summer!

E era tempo de pegar no meu expresso e bazar. Para aquela Serra-leonesa o calor mede-se pela presença de moscas e mosquitos! Curioso, não?

Deixou-me a pensar nisso: aqui nunca vi moscas nem mosquitos! Não há! Ainda não tenho assim tantas saudades do calor para sentir falta de moscas e mosquitos...

Planos para este Domingo?

Digam lá se um bailarico Português no centro de Londres não é do melhor???

Celebrating Portugal in Lambeth

Lambeth will celebrate its Portuguese community and culture on Sunday 21 June with a festival on Streatham Common. All are welcome to come and celebrate.

With a traditional folklore focus, this year's programme will have the musical performances of Herman José, Padre Borga, Docemania, the Portuguese revelation Ana Free, local artists Alexis, Helder Lopes and Nuria as well as traditional folklore groups "O Tipico" and "Corpo e Alma". There will also be 15 stalls with Portuguese food and drinks, held by Portuguese associations and restaurants as well as many local companies and organisations displaying products and services.

Over 25,000 people have attended previous festivals and we hope for even more this time. The Mayor of Lambeth, Councillor Christopher Wellbelove and the Leader, Councillor Steve Reed will be attending.

With the Olympic Games of 2012 not that far away there festival welcomes some of the all time great Portuguese gold medallists including Carlos Lopes, Rosa Mota, António Leitão and Fernanda Ribeiro.




Mas (in)felizmente estarei esparramado numa praia no sul do Báltico. Não haverá Licor Beirão mas Vodka, Polacas em vez de Tugas... Enfim... Tenho de exercitar mais a minha ubiquidade.